quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O Profissional e o Mercado Trabalho




O mercado de trabalho está cada vez mais exigente e a especialização é um dos fatores determinantes para que o profissional se mantenha “empregável”, ou seja, atrativo para um mercado altamente competitivo e que busca por qualificação diferenciada.

Mesmo assim, buscar novas oportunidades de trabalho não é tarefa fácil, pois representa um grande desafio, exigindo que o profissional siga alguns passos importantes. O primeiro deles é elaborar um bom currículo, objetivo, sucinto, que obedeça a ordem cronológica das empresas para as quais trabalhou e os cargos ocupados. Também é importante mencionar as funções desempenhadas, os cursos de aperfeiçoamento realizados, principalmente os de idiomas. Deve citar sua vivência internacional, incluindo as viagens para intercâmbio cultural. Todas as informações importantes e relevantes que compõem seu perfil profissional devem fazer parte do currículo que deve ter objetivos bem definidos.

Não há nada mais difícil para o selecionador que analisar um currículo sem foco, ou seja, aquele onde o profissional não define claramente a área onde deseja atuar. É comum encontrar currículos onde os objetivos profissionais apontam para diversas áreas ao mesmo tempo, como vendas, compras, administrativo, financeiro ou ainda alguma área técnica. Nestes casos é recomendado que o profissional elabore mais de um currículo, cada um direcionado à área específica, na qual ele possua vivência profissional. Desta forma será mais fácil analisar as informações e compará-las ao perfil exigido para cada cargo. 

Cabe também ao profissional lançar mão de seu networking e divulgar suas atribuições profissionais utilizando as ferramentas disponíveis no mercado, principalmente as virtuais, como as redes sociais e o banco de currículos das empresas, disponibilizados através dos próprios sites, além das consultorias especializadas em recrutamento e seleção.

É importante se preparar para as entrevistas e levar em consideração que elas não apenas complementam o currículo como são definitivas na avaliação do perfil pessoal e profissional. 

Aqui vão algumas dicas:

Falar demais ou de menos é uma questão de medida, mas lembre-se que o entrevistador é quem conduz a entrevista. Responder bem às suas perguntas, esclarecer o que ele deseja e não mostrar ansiedade são pontos fundamentais. Também deixar de falar o que deve ser dito é algo inadequado. Há pessoas que para evitar erros ou pela própria timidez, perdem a oportunidade de mencionar fatos relevantes que mostram qualificação, adequação ou qualquer vantagem competitiva do profissional, além de seu real interesse em trabalhar na empresa. Esquecer informações relevantes é o mesmo que falar de menos.

Antes de cada entrevista, pergunte-se sobre o que este empregador quer saber sobre você. Se necessário, anote as informações em um papel e leia repetidamente antes da entrevista, pode ser diante do espelho ou cronometrando o tempo que você leva para expor suas ideais. Este exercício fará bem a você, pois direcionará a fala para o que efetivamente interessa.

Nunca desvalorize a empresa anterior, seu ex-chefe ou um ex-funcionário, isto pode sinalizar indiscrição, falta de reconhecimento e má postura profissional. Reclamar do trabalho anterior pressupõe mágoa ou frustração, um péssimo elemento para a imagem do entrevistado. Pessoas capazes não se lamentam, mas resolvem seus problemas.

Valorizar demais a empresa anterior, seu ex-chefe ou os ex-colegas, igualmente é uma questão de medida. O profissional pode transmitir ao entrevistador uma ideia de que não será capaz de se desvencilhar facilmente da experiência anterior, podendo criar dificuldades diante das novas situações.

É preciso tomar cuidado ao relatar aspectos pessoais que possam comprometer sua contratação. O candidato deve ser honesto, mas não ingênuo. Não tente falar de aspectos pessoais que possam transmitir uma má imagem de si próprio.  Exemplo, “não consigo conviver com gente arrogante”. O entrevistador concluirá que o candidato tem um problema de comportamento a ser superado. É sabido que todos nós temos defeitos, mas não precisamos propagá-los.

Uma atitude altamente recomendável é a de nunca invadir o espaço do entrevistador, como por exemplo, pegar objetos da mesa, se apoiar nela ou fazer perguntas pessoais ao entrevistador, pois ele está, temporariamente, em uma posição de superioridade e deve ser respeitado.  Estas atitudes caracterizam displicência e não serão bem interpretadas.    

Apresentar emoções negativas na entrevista depõe contra o candidato. Um exemplo é mostrar preocupação, irritação, ansiedade ou descontentamento. Portanto, prepare-se para a entrevista, mantenha a calma.

Falar sobre assuntos para o quais você está despreparado é muito delicado, pois é esperado pelo entrevistador que o candidato domine os assuntos que ele mesmo aborde. Quando o candidato acha que está apto para falar de qualquer assunto, e opina sobre áreas que não conhece, os resultados são desastrosos. Calar-se diante de um assunto desconhecido (ou até perguntar melhor sobre o que se trata) é a forma mais correta de não tirar sua credibilidade.

Mostrar exagerada preocupação com salário e benefícios não é bem visto, pois sabemos que ninguém trabalha por esporte, mas é difícil aceitar as pessoas que demonstram forte tendência a valorizar o lado financeiro da oportunidade de trabalho.  Pessoas que demonstram excessiva preocupação com ganhos na entrevista perdem pontos.

Celular ligado, desinformação a respeito da empresa, que demanda pelo menos uma visita antecipada ao site, são comportamentos fatais na entrevista.  Também a apresentação adequada com uso de roupa discreta e elegante, demonstra cuidado e profissionalismo. Em especial para as mulheres, não é recomendado usar roupas provocantes, maquiagem carregada, acessórios estranhos, pois nada disso causará boa impressão. É preciso cuidado para não confundir elegância com extravagância. Lembre-se de que você estará em um contexto organizacional.

A comunicação corporal pode demonstrar fatores como segurança ou insegurança e afetar positiva ou negativamente a entrevista, portanto lembre-se de que o “o corpo fala”. Em nossa cultura, não olhar diretamente para nosso interlocutor, demonstra que escondemos “algo”, portanto,  olhe o entrevistador nos olhos, mesmo que ele não faça o mesmo. Igualmente deve-se tomar cuidado com outros aspectos de comunicação não verbal como gestos repetitivos ou nervosos, olhar preocupado, semblante tenso, etc.

Nunca chegue atrasado, pois para este erro primário e muito comum, não há nenhuma desculpa que o justifique.

Por outro lado, para as empresas, selecionar os melhores candidatos para concorrer a uma vaga não é tarefa fácil, pois além das competências técnicas o candidato avaliado deverá reunir as competências comportamentais exigidas para a função, ou seja, as habilidades e capacidades deste profissional que definem e complementam seu perfil profissional.

Dentre estas competências a serem avaliadas estão o relacionamento interpessoal, o trabalho em equipe, a comunicação, a análise crítica para tomada de decisão, a organização, o controle, a iniciativa, a proatividade, a criatividade, a flexibilidade, a agilidade e a resiliência, entre outras. Estas competências serão medidas através de ferramentas aplicadas por profissionais especializados através de entrevistas situacionais e por competências e aplicação de testes de avaliação psicológica.

Afinal, o processo de contratação de profissionais teve que se adequar ao novo perfil do mercado. A história nos mostra que na década de 50 as empresas eram conservadoras, burocráticas, tinham normas rígidas e os profissionais contratados mantinham-se por longos períodos na mesma função, sem perspectivas de crescimento não havendo nenhuma complexidade ou exigência na contratação.

De 1950 a 1990 as empresas passaram a criar uma estrutura de departamentos, quando então os cargos e as funções começaram a sofrer mudanças. Nesse período passou a ser valorizada a formação técnica para ocupar os cargos, em detrimento de outras competências tão igualmente importantes.

Após 1990 as empresas se tornaram ágeis e dinâmicas, porque a própria inovação trouxe os processos de mudanças contínuas do mercado globalizado. Os profissionais do mercado passaram a ser valorizados não apenas pela formação ou conhecimentos técnicos como também por sua inteligência emocional, ou seja, a capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles.

As empresas atuais estão inseridas em um contexto inovador, de rápidas mudanças e devem se ater para o fato de que o mundo “sem fronteiras” desenhou um mercado onde as organizações precisam se manter altamente competitivas. Para isso precisam contar com profissionais cada vez mais qualificados, dinâmicos, comprometidos e participantes, pois o capital humano das empresas representa seu próprio diferencial. 

Portanto, a convergência de interesses entre os profissionais que buscam novas colocações e um mercado que necessita de profissionais cada vez mais preparados e qualificados, constitui-se na realidade atual de um mundo que busca soluções inovadoras, imediatas e criativas.


Ana Maria Ramos
Central do Trabalho Recursos Humanos

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O assédio moral e o papel do RH




Infelizmente, o assédio moral ou a violência moral no trabalho não é um fenômeno novo, ao contrário, podemos afirmar que ele é tão antigo quanto o próprio trabalho.

A violência moral no trabalho constitui-se em um fenômeno mundial que segundo recente levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ocorre na mesma proporção em países de maior ou de menor desenvolvimento. No Brasil existem mais de 80 projetos de lei tramitando na Justiça em âmbito federal, estadual, municipal e jurisprudência, com o objetivo de buscar o nexo-causal para um crime que normalmente é praticado com extrema sutileza e que torna difícil sua identificação.

A disseminação ou prática do assédio moral em uma empresa pode ser favorecido pela própria desestruturação organizacional, e agravado pela ignorância, tolerância, ou mesmo, pelo encorajamento dos próprios gestores.

Portanto, o papel do gestor é de fundamental importância para a criação de uma cultura estratégica de desenvolvimento humano dentro da organização. É preciso quebrar o velho paradigma, gerando oportunidades de aprendizado no lugar da punição, permitindo do princípio básico de que cada colaborador possa realizar seu trabalho e desenvolver seus potenciais dentro um ambiente saudável e ético. Enquanto não existir a liderança participativa dentro da organização, a gestão pelo medo pode desencadear comportamentos que levem à prática do assédio moral.

Os gestores devem assegurar aos seus colaboradores os direitos humanos, estando preparados para assumir esta responsabilidade, através de uma postura de liderança democrática e participativa. O papel do gestor é o de adotar um código de ética, visando combater todas as formas de discriminação e assédio moral entre seus liderados, difundindo o respeito à dignidade e à pessoa humana.

Cabe ao gestor  fazer com que se cumpram as regras disciplinares criadas para a empresa, apoiando canais de comunicação “confiáveis”, para que o colaborador possa ser ouvido em casos de denúncia sobre intimidações, constrangimentos ou ameaças sofridas por eles, garantindo-lhes o direito do sigilo, ou de anonimato.
 
O gestor de Recursos Humanos deve implantar as políticas de Gestão de Pessoas, definindo os parâmetros nos quais os padrões nas relações de trabalho dentro da organização, devem ser constituídos. Os Recursos Humanos representam uma área estratégica dentro da empresa, desempenhando um papel cada vez mais importante na criação de políticas interativas entre o ambiente interno e externo da organização. O recrutamento e seleção de pessoas, bem como a avaliação de desempenho dos profissionais que nela trabalham, a orientação e desenvolvimento, a capacitação, bem como a política de saúde no trabalho, são fundamentais para a prevenção, identificação e intervenção nos casos de assédio moral dentro da empresa.

É preciso reconhecer o efeito nocivo que qualquer conduta abusiva, manifestando-se sobretudo por comportamentos, palavras, atos, gestos, ou escritos podem trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, colocando em risco sua estabilidade (emprego) e degradando o ambiente de trabalho.

Portanto, uma administração baseada nas normas da boa convivência e  das relações éticas de trabalho, terá seu diferencial competitivo no mercado, associando sua imagem à boas práticas para uma sociedade mais ética e responsável.

Ana Maria Ramos
Central do Trabalho Recursos Humanos

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Avaliação de Desempenho - Medo ou Oportunidade







Antes de respondermos a algumas questões práticas sobre o que uma avaliação de desempenho possa significar, é preciso conceituarmos a relação entre potencial e desempenho humano nas organizações. 


O potencial vem a ser o diferencial dos ativos humanos da organização diante de um mercado globalizado e de um cenário de constantes avanços tecnológicos. A força humana deve representar o diferencial competitivo de uma empresa e acompanhar as modernas práticas gerenciais. O  desempenho representa a "entrega" de todo profissional dentro da organização, ou seja, o quanto ele é capaz de mobilizar seus conhecimentos, habilidades e atitudes em prol dos resultados individuais e globais.


Para Souza (2005) "potencial é um poder inerente à pessoa, refletindo nos conhecimento, habilidades, experiência, interesses entre outros, disponível para aplicação em qualquer situação de vida e de trabalho, já  o desempenho é uma ação que pode ser verificada e mensurada”. 


Segundo Idalberto Chiavento, no livro Gestão de Pessoas "a avaliação de desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa, em função das atividades que ela desempenha, das metas e resultados a serem alcançados e do seu potencial de desenvolvimento”. 


Portanto a avaliação de desempenho representa uma poderosa ferramenta que beneficiará o profissional dando a ele a oportunidade de melhoria e crescimento contínuos através do conhecimento do que é esperado dele. 


Dentre os objetivos básicos e benefícios advindos de uma avaliação de desempenho estão o alinhamento do perfil do profissional às funções que realiza, aperfeiçoamento contínuo das habilidades técnicas e comportamentais, identificação de potencial para promoção, levantamento de necessidade de treinamento e qualificações específicas e diagnóstico de problemas relacionados ao trabalho.


Para a empresa será possível monitorar as atividades realizadas, corrigindo desvios, melhorando a produtividade e principalmente criando um momento entre o profissional e o avaliador para que possam ser discutidos pontos à respeito do desenvolvimento do trabalho. Este processo tende a apontar para possíveis mudanças comportamentais e alinhar questões técnicas ou aquelas precisam ser melhoradas. Através da prática do retorno ou feedback será possível estabelecer um importante e eficiente canal de comunicação.


As avaliações de desempenho podem ocorrer em 180 ou 360 graus, com a colaboração da hierarquia direta, membros da equipe liderada ou mesmo dos clientes internos e externos, dependendo da cultura da organização e de seu relacionamento com o mercado.


Para que se obtenham os melhores resultados de uma avaliação de desempenho ela deve ter periodicidade, estar baseada em padrões e critérios claros e justos e estabelecer a monitoria contínua do desenvolvimento dos profissionais avaliados.


Neste processo tanto os profissionais como avaliadores devem estar preparados para este importante momento, pois exigem outras habilidades além de ouvir e ser ouvido. Para o avaliador é importante tratar o feedback de forma impessoal e imparcial. Para o profissional é importante compreender que a premissa de melhoria de sua performance norteará todo o processo.


Atualmente, dentre outras ferramentas de gestão, os profissionais da área de Recursos Humanos desenvolvem e acompanham estes processos, buscando estruturá-lo de acordo com os objetivos, momento atual e cultura de cada organização, auxiliando em sua condução e na preparação de todos os envolvidos com o objetivo de não apenas enriquecer as relações humanas no trabalho, mas criar oportunidades de crescimento mútuos.

Ana Maria Ramos
Consultora
CENTRAL DO TRABALHO Recursos Humanos

Ana Maria Ramos Consultora CENTRAL sistema de atendimento online DO TRABALHO Recursos Humanos
Ana Maria Ramos Consultora CENTRAL sistema de atendimento online DO TRABALHO Recursos Humanos