terça-feira, 17 de abril de 2012

O Profissional e o Mercado Atual de Trabalho

O mercado de trabalho está cada vez mais exigente e a especialização é um dos fatores determinantes para que o profissional se mantenha “empregável”, ou seja, atrativo para um mercado altamente competitivo e que busca por qualificação diferenciada.

Mesmo assim, buscar novas oportunidades de trabalho não é tarefa fácil, pois representa um grande desafio, exigindo que profissional siga alguns passos importantes. 

O primeiro deles é elaborar um bom currículo, objetivo, sucinto, que obedeça a ordem cronológica das empresas para as quais trabalhou e os cargos ocupados. Também é importante mencionar as funções desempenhadas, os cursos de aperfeiçoamento realizados, principalmente os de idiomas. Deve citar sua vivência internacional, incluindo as viagens para intercambio cultural. Todas as informações importantes e relevantes que compõem seu perfil profissional devem fazer parte do currículo que deve ter objetivos bem definidos.

Não há nada mais difícil para o selecionador que analisar um currículo sem foco, ou seja, aquele onde o profissional não define claramente a área onde deseja atuar. É comum encontrar currículos onde os objetivos profissionais apontam para diversas áreas ao mesmo tempo, como vendas, compras, administrativo, financeiro ou ainda alguma área técnica. Nestes casos é recomendado que o profissional elabore mais de um currículo, cada um direcionado à área específica na qual ele possua vivência profissional. Desta forma será mais fácil analisar as informações e compará-las ao perfil exigido para cada cargo. 

Cabe também ao profissional lançar mão de seu networking e divulgar suas atribuições profissionais utilizando as ferramentas disponíveis no mercado, principalmente as virtuais, como as redes sociais e o banco de currículos das empresas, disponibilizados através dos próprios sites, além das consultorias especializadas em recrutamento e seleção.

É importante se preparar para as entrevistas e levar em consideração que elas não apenas complementam o currículo como são definitivas na avaliação do perfil pessoal e profissional. 

Aqui vão algumas dicas:

Falar demais ou de menos é uma questão de medida, mas lembre-se que o entrevistador é quem conduz a entrevista. Responder bem às suas perguntas, esclarecer o que ele deseja e não mostrar ansiedade são pontos fundamentais. Também deixar de falar o que deve ser dito é algo inadequado. Há pessoas que para evitar erros ou pela própria timidez, perdem a oportunidade de mencionar fatos relevantes que mostram qualificação, adequação ou qualquer vantagem competitiva do profissional, além de seu real interesse em trabalhar na empresa. Esquecer informações relevantes é o mesmo que falar de menos.

Antes de cada entrevista, pergunte-se sobre o que este empregador quer saber sobre você. Se necessário, anote as informações em um papel e leia repetidamente antes da entrevista, pode ser diante do espelho ou cronometrando o tempo que você leva para expor suas ideais. Este exercício fará bem a você, pois direcionará a fala para o que efetivamente interessa.

Nunca desvalorize a empresa anterior, seu ex-chefe ou um ex-funcionário, isto pode sinalizar indiscrição, falta de reconhecimento e má postura profissional. Reclamar do trabalho anterior pressupõe mágoa ou frustração, um péssimo elemento para a imagem do entrevistado. Pessoas capazes não se lamentam, mas resolvem seus problemas.

Valorizar demais a empresa anterior, seu x-chefe ou os ex-colegas, igualmente é uma questão de medida. O profissional pode transmitir ao entrevistador uma ideia de que não será capaz de se desvencilhar facilmente da experiência anterior, podendo criar dificuldades diante das novas situações.

É preciso tomar cuidado ao relatar aspectos pessoais que possam comprometer sua contratação. O candidato deve ser honesto, mas não ingênuo. Não tente falar de aspectos pessoais que possam transmitir uma má imagem de si próprio.  Exemplo, “não consigo conviver com gente arrogante”. O entrevistador concluirá que o candidato tem um problema de comportamento a ser superado. É sabido que todos nós temos defeitos, mas não precisamos propagá-los.

Uma atitude altamente recomendável é a de nunca invadir o espaço do entrevistador, como por exemplo, pegar objetos da mesa, se apoiar nela ou fazer perguntas pessoais ao entrevistador, pois ele está, temporariamente, em uma posição de superioridade e deve ser respeitado.  Estas atitudes caracterizam displicência e não serão bem interpretadas.    

Apresentar emoções negativas na entrevista depõe contra o candidato. Um exemplo é mostrar preocupação, irritação, ansiedade ou descontentamento. Portanto, prepare-se para a entrevista, mantenha a calma.

Falar sobre assuntos para o quais você está despreparado é muito delicado, pois é esperado pelo entrevistador que o candidato domine os assuntos que ele mesmo aborde. Quando o candidato acha que está apto para falar de qualquer assunto, e opina sobre áreas que não conhece, os resultados são desastrosos. Calar-se diante de um assunto desconhecido (ou até perguntar melhor sobre o que se trata) é a forma correta mais correta de não tirar sua credibilidade.

Mostrar exagerada preocupação com salário e benefícios não é bem visto, pois sabemos que ninguém trabalha por esporte, mas é difícil aceitar as pessoas que demonstram forte tendência a valorizar o lado financeiro da oportunidade de trabalho.  Pessoas que demonstram excessiva preocupação com ganhos na entrevista perdem pontos.

Celular ligado, desinformação a respeito da empresa, que demanda pelo menos uma visita antecipada ao site, são comportamentos fatais na entrevista.  Também a apresentação adequada com uso de roupa discreta e elegante, demonstra cuidado e profissionalismo. Em especial para as mulheres, não é recomendado usar roupas provocantes, maquiagem carregada, acessórios estranhos, pois nada disso causará boa impressão. É preciso cuidado para não confundir elegância com extravagância. Lembre-se você estará em um contexto organizacional.

A comunicação corporal pode demonstrar fatores como segurança ou insegurança e afetar positiva ou negativamente a entrevista, portanto lembre-se de que o “o corpo fala”. Em nossa cultura, não olhar diretamente para nosso interlocutor, demonstra que escondemos “algo”, portanto  olhe o entrevistador nos olhos, mesmo que ele não faça o mesmo. Igualmente deve-se tomar cuidado com outros aspectos de comunicação não verbal como gestos repetitivos ou nervosos, olhar preocupado, semblante tenso, etc.

Nunca chegue atrasado, pois para este erro primário e muito comum, não há nenhuma desculpa que o justifique.

Por outro lado, para as empresas, selecionar os melhores candidatos para concorrer a uma vaga não é tarefa fácil, pois além das competências técnicas o candidato avaliado deverá reunir as competências comportamentais exigidas para a função, ou seja, as habilidades e capacidades deste profissional que definem e complementam seu perfil profissional.

Dentre estas competências a serem avaliadas estão o relacionamento interpessoal, o trabalho em equipe, a comunicação, a análise crítica para tomada de decisão, a comunicação, a organização, o controle, a iniciativa, a proatividade, a criatividade, a flexibilidade, a agilidade e a resiliencia, entre outras. Estas competências serão medidas através de ferramentas aplicadas por profissionais especializados através de entrevistas situacionais e por competências e aplicação de testes de avaliação psicológica.

Afinal, o processo de contratação de profissionais teve que se adequar ao novo perfil do mercado. A história nos mostra que na década de 50 as empresas eram conservadoras, burocráticas, tinham normas rígidas e os profissionais contratados mantinham-se por longos períodos na mesma função, sem perspectivas de crescimento não havendo nenhuma complexidade ou exigência na contratação.
De 1950 a 1990 as empresas passaram a criar uma estrutura de departamentos, quando então os cargos e as funções começaram a sofrer mudanças. Nesse período passou a ser valorizada a formação técnica para ocupar os cargos, em detrimento de outras competências tão igualmente importantes.

Após 1990 as empresas se tornaram ágeis e dinâmicas, porque a própria inovação trouxe os processos de mudanças contínuas do mercado globalizado. Os profissionais do mercado passaram a ser valorizados não apenas pela formação ou conhecimentos técnicos como também por sua inteligência emocional, ou seja, a capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles.

As empresas atuais estão inseridas em um contexto inovador, de rápidas mudanças e devem se ater para o fato de que o mundo “sem fronteiras” desenhou um mercado onde as organizações precisam se manter altamente competitivas. Para isso precisam contar com profissionais cada vez mais qualificados, dinâmicos, comprometidos e participantes, pois o capital humano das empresas representa seu próprio diferencial. 

Portanto, a convergência de interesses entre os profissionais que buscam novas colocações e um mercado que necessita de profissionais cada vez mais preparados e qualificados, constitui-se na realidade atual de um mundo que busca soluções inovadoras, imediatas e criativas.

Ana Maria Ramos
Consultora de RH da Central do Trabalho Recursos Humanos

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Uma crença... Uma Vida!


A Verdade e a Parábola

A Verdade visitava os homens; sem roupas e sem adornos, tão nua quanto o seu nome.

E todos os que a viam viravam-lhe as costas de vergonha ou de medo e ninguém lhe dava as boas vindas.

Assim a Verdade percorria os confins da Terra, rejeitada e desprezada.

Numa tarde, muito desolada e triste, encontrou a Parábola que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido.

-Verdade, porque estás tão abatida? - perguntou a Parábola.

-Porque devo ser muito feia já que os homens me evitam tanto!

-Que disparate - riu a Parábola - não é por isso que os homens te evitam. Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que acontece.

Então a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola e, de repente, por toda a parte onde passava era bem vinda.

Então a Parábola falou:

- A verdade é que os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles a preferem disfarçada!

Há muitos anos atrás, quando li essa metáfora, acreditei ter entendido o que acontecia comigo. Trabalhava com comportamento humano e quando me vinha de forma clara o que aquela pessoa em questão estava precisando ouvir, eu dizia e quando eu dizia, algumas se justificavam, outras não aceitavam, algumas confirmavam e nada faziam, outras faziam mudanças positivas e outras nunca mais voltavam.

Eu dizia a verdade de forma nua, sem adereços. Pude através da metáfora e da experiência com as pessoas, perceber que cada pessoa tem um tempo de amadurecimento, e nem sempre estão prontas para a verdade.

Acreditei que não poderia mais dizer com a energia que eu dizia, com a clareza com que me vinha, e passei a me policiar, ter a cada dia mais zelo com as palavras. Passei anos da minha vida preparando pessoas para um dia estarem prontas a ouvir. Nunca consegui. 

Um dia “me percebi”, como profissional e essa percepção foi cruel. Eu estava fazendo o “jogo” do outro. Estava poupando as pessoas na esperança delas amadurecerem. Aprendi que quanto maior a expectativa, maior a frustração.

Continuei trabalhando com palestras, com temas superficiais e com o passar do tempo, me percebi morta por dentro.

Dei um tempo para refletir sobre minha trajetória de vida, sobre minha saúde mental, sobre meu futuro. 

Nesse período tive perdas grandes e uma grande perda. Nada mais me alegrava, nada mais me impulsionava. 

Foi numa viajem que me reencontrei. Me resgatei! Estar só com você mesma, traz benefícios inimagináveis. Foi como um sopro na brasa. 

O problema não estava comigo e percebi o quanto uma crença pode nos destruir. 

As interações, as trocas de experiência, os estudos, as leituras, são importantes, mas desde que não entrem na sua identidade. Jamais podemos negar ou destruir ou obstruir o que é nosso por excelência.

Hoje percebo claramente que não importa o que eu diga ou como eu diga, o importante é deixar saída para o outro, pois será raro encontrar alguém amadurecido, pronto a deixar sua concha, suas teorias, suas crenças, sua limitação.

Não existe uma verdade, mesmo que para mim seja óbvio, claro, explícito. Existem várias verdades. E quando eu dou opções de verdades, me colocando em várias posições, tendo uma visão mais ampla, e assim o outro poderá se identificar sem ser desrespeitado. Não preciso vestir a verdade, nem devo, pois seria julgar, como saberei que roupa colocar e qual verdade vestir?

Aprendi a compreender os fatos e acontecimentos não só com a minha verdade, a minha visão limitada do mundo, mas com a visão do outro e do outro e do outro. O exercício de buscar saber como eu reajiria se fosse o outro e as pesquisas de como reagem pessoas de idades, classe sociais, culturas e ambientes diferentes, eu consigo dar uma espectro maior de verdades e com isso posso utilizar a energia que me é nata, a clareza e objetividade do meu ser. 

Posso ser útil. Aprendi. Renasci. 

Joséphine Berloquin

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Você pode gostar do seu emprego


Quando a pessoa quer mudar sua vida, talvez tenha de mudar de emprego. Há duas maneiras de fazer essa mudança. A mais óbvia é deixar o atual e arranjar outro. Mas, se fizer isso, supõe-se geralmente que todas as coisas de que não gosta no emprego atual estarão ausentes no novo emprego e que, de fato, tudo na nova ocupação será ótimo.
Isso, no entanto, não é necessariamente verdade. Existe uma lei da natureza humana que tem de ser reconhecida: 

Você carrega a si mesmo a todo lugar que vai. Não é possível fugir de si mesmo. 

Quando você se transfere de um emprego infeliz para outro novo, irá, na própria natureza do caso, levar a si mesmo. 

Isto significa evidentemente que as mesmas fraquezas e atitudes erradas que tinha no antigo cargo irão estar lá com você como sempre, depois do primeiro transporte de entusiasmo. 

A segunda maneira de mudar de emprego é mudar a si mesmo. Isso pode ser feito na estrutura do trabalho atual.

Um homem me consultou sobre o seu emprego. Ele disse que não continha oportunidades. Era um beco sem saída. Ia demitir-se e procurar outra coisa. 

Descrevi o conceito acima de lidar com o emprego. Mencionei a seguir o nome de um homem dinâmico que era muito bem-sucedido.

- O que você acha que o Sr. Smith faria com o seu emprego atual se fosse dele? 

Ele pensou um pouco e respondeu: - Bem, estou certo de que teria sucesso. Ele é sempre bem-sucedido em tudo.

- Mas, como ele iria ter sucesso nesse emprego? - insisti. - O que faria?

Ao que ele respondeu: - Isso não posso dizer.

- Por que você não passa alguns dias tentando pensar no que o muito bem-sucedido Sr. Smith faria nesse emprego e põe então em prática as suas idéias?

Ele voltou mais tarde com uma atitude muito melhor e disse:

- A única maneira de fazer o que o Sr. Smith faria é se me tornasse uma pessoa extrovertida como ele. O Sr. Smith pensa positivo. Acho que devo começar também a praticar o pensamento positivo.

Encorajado, ele seguiu sua nova atitude mental e fez um trabalho bastante criativo em si mesmo. 

Seu desempenho no trabalho melhorou. 

Ele obteve uma nova colocação mudando a si mesmo no emprego que já ocupava.

Norman Vincent Peale

terça-feira, 3 de abril de 2012

Autonomia






A palavra autonomia vem do grego, pois autos significa eu mesmo, si mesmo, e nomos significa norma, lei, regra. Isso quer dizer que autônomo é alguém que tem a capacidade de dar para si mesmo suas regras, as normas que vai seguir.


Ora, então só é autônomo quem inventa regras? Não. O que queremos dizer é que autônomo é aquele que conhece as regras, que pode pensar sobre elas a ponto de deliberar para si mesmo que irá segui-las, pois reconhece-lhes a importância. Por exemplo, a regra de escovar os dentes depois de cada refeição, para uma criança de cinco anos, provavelmente é uma chatice da qual seus tutores têm que ficar lembrando-a e obrigando a obedecer. Mas para um adulto, em geral, não é necessário que alguém fique lembrando-o de cumprir tal regra, pois ele já tomou consciência de sua necessidade, já a assumiu como sua e, portanto, cumpre-a de forma quase automática, transformando-a em parte do estado normal das coisas para si. A criança que precisa de um tutor para que cumpra as tarefas mais simples de seu cotidiano é chamada de heterônomo. Em grego hetero significa outro, portanto heterônomo designa os que necessitam de outro para dizer-lhes as regras.

O processo pelo qual o homem passa, desde o seu nascimento até atingir a maturidade, é um processo que o leva da anomia (a, como prefixo, indica negação) para a heteronomia, e só depois para a autonomia. Um bebezinho nos seus primeiros meses de vida não tem condições intelectuais de compreender as regras da sociedade em que vive, muito menos a sua necessidade. É como se para ele elas não existissem. Quando for uma criança, dali há muitos anos, já terá condições de compreender a existência das regras, mas não conseguirá refletir sobre elas, nem analisa-las, julga-las e, ao mesmo tempo, agir de forma coerente com seus próprios pensamentos.

A autonomia é a qualidade que permite ao homem ser livre. O homem autônomo tem condições intelectuais e emocionais de perceber e pensar sobre a realidade que o cerca e sobre si mesmo. Assim, pode traçar um plano para sua vida, escolher os meios para alcançar seus objetivos e responder racionalmente por essas escolhas. Tem consciência da moral vigente em seu grupo social e adequa-se deliberadamente a ele, da forma que elegeu para si. Também deve estar aberto para rever-se, sempre que esbarrar na necessidade de modificar seu ponto de vista.

Fonte: Texto extraído da Revista Vencer